Atividade física na prevenção e no tratamento


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Henriqueta Vieira van Keulen – Juiz de Fora/MG

Especialista em Nutrição Oncológica pela SBNO

 

O câncer é considerado um problema de saúde pública mundial, tornando-se um grande desafio para pesquisadores e gestores públicos. Cadeau et al. (2016) confirmam o efeito de prevenção do câncer quando há adesão a uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos. Foram publicadas, no relatório “Alimento, Nutrição, Atividade Física e Prevenção de Câncer”, da World Cancer Research Fundation / American Institute for Cancer Research – WCRF/AICR (2007), recomendações sobre dieta, atividade física e controle de peso para a prevenção do câncer, sendo que a atividade física foi indicada como parte da rotina diária (BAVARESCO et al., 2016).

Após diagnóstico e início do tratamento, alguns quimioterápicos são associados ao aparecimento de sintomas como fadiga, fraqueza, náuseas, etc. (INCA, 2015), influenciando negativamente na qualidade de vida do paciente. Mas a prática da atividade física realizada durante e após o tratamento parece causar efeitos benéficos sobre uma série de fatores físicos e psicossociais (BUFFART et al., 2014; MENESES-ECHAVEZ et al., 2015). Entretanto, para que o exercício físico atue como otimizador da qualidade de vida, sugere-se que a atividade física faça parte integral e contínua dos cuidados, devendo ser prescrita individualmente, considerando o estado físico geral, o grau de sarcopenia e caquexia em que o paciente se encontra (BUFFART et al., 2014; CASTRO FILHA et al., 2016).

Para que haja efeitos benéficos, recomenda-se que as atividades físicas devam integrar os vários sistemas corporais, considerando exercícios aeróbicos, treinamento resistido, propriocepção, alongamentos e flexibilidade. O exercício aeróbico de intensidade moderada objetiva o transporte mais eficaz de oxigênio, que é caracterizado por volume cardíaco e sanguíneo aumentados, e aumento da atividade de enzimas, principalmente das envolvidas com o metabolismo oxidativo, melhorando a sensibilidade à insulina e equilibrando os níveis de glicose, além da adaptação das estruturas musculares (BIEZEK et al., 2015; MCGARRAH et al., 2016).

O déficit de peso provindo dos efeitos metabólicos diretos do tumor é de difícil recuperação, sendo que o processo da doença, o tratamento e seus efeitos colaterais podem acarretar uma severa desnutrição proteico-calórica causada pela anorexia e caquexia, que geralmente ocorrem juntas. Entretanto, o treinamento resistido moderado é sugerido como o mais efetivo no ganho e/ou recuperação da massa muscular (SOARES; MOURA, 2013).

Os sintomas de fadiga, fraqueza e a recuperação de cirurgias comprometem as atividades diárias, levando a perda da flexibilidade, força e resistência muscular. É comum, em alguns tipos de câncer, a perda de massa magra e o ganho de peso de gordura durante o tratamento (CASTRO FILHA et al., 2016) contudo, sessões de fisioterapia, exercícios de propriocepção e alongamentos podem minimizar os efeitos deletérios desta condição clínica, diminuindo o risco de complicações pósoperatórias, menor tempo de permanência hospitalar, maior resposta terapêutica, além de maior sobrevida (SOARES; MOURA, 2013).

Além disso, segundo Castro Filha et al. (2016) uma alimentação saudável e adequada para cada paciente e a prática moderada de exercícios seria uma estratégia eficaz para redução e controle da inflamação geral, pois a inflamação crônica está ligada à massa de gordura corporal aumentada, onde o tecido adiposo apresenta-se como fonte importante de citocinas pró-inflamatórias circulantes.

Dessa forma, o controle do peso diminuiria a produção de citocinas pró-inflamatórias (IL-6, TNF) e aumentaria a produção de citocinas anti-inflamatórias (IL-10; IL-1). Para isso, no entanto, é necessário que estudos mais consistentes, com orientações mais específicas para a identificação de intervenções adequadas a esses pacientes sejam realizados. É importante também, que estudos sejam realizados para que se possa melhorar a eficácia e eficiência da atividade física sobre os resultados de saúde em sobreviventes do câncer.

REFERÊNCIAS

BAVARESCO, T. P. F. et al. Adesão às recomendações do World Cancer Research Fund/American Institute for Cancer Research de mulheres durante o tratamento para o câncer de mama. Nutricíon Clínica y Dietética Hospitalaria, v. 36, n.2, p. 150-157, 2016.

BIESEK, S.; ALVES, L. A.; GUERRA, I. Estratégias de nutrição e suplementação no esporte. 3. ed. Barueri: Editora Manole, 2015.

BUFFART, L. M. et al. Evidence-based physical activity guidelines for cancer survivors: Current guidelines, knowledge gaps and future research directions. Cancer Treatment Reviews, n. 40, p. 327–340, 2014.

CADEAU, C. et al. Vitamin C supplement intake and postmenopausal breast cancer risk: interaction with dietary vitamin C. The American Journal of Clinical Nutricion, v.104, p.228-234, 2016.

CASTRO FILHA; J. G. L. Influências do exercício físico na qualidade de vida em dois grupos de pacientes com câncer de mama. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 38, n. 2, p.107-114, 2016.

INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA). Tratamento do câncer. (2015) Disponível em:< http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home>. Acesso em: 20 jun. 2017.

MC GARRAH, R. W. et al. The effect of vigorous- versus moderate-intensity aerobic exercise on insulin action. Current Cardiology Reports, n.18, p. 117, 2016.

MENESES-ECHAVEZ, J. F. et al. Efectividad del ejercicio físico em la fatiga de pacientes com cancer durante el tratamiento activo: revisión sistemática y metaanálisis. Caderno de Saúde Pública, v. 31, n. 4, p. 667-681, 2015.

SOARES, N. T.; MOURA, P. S. Avaliação nutricional nas doenças crônicas. In: SAMPAIO, H. A. C.; SABRY, M. O. D. Nutrição em doenças crônicas: prevenção e controle. 2. ed. São Paulo: Atheneu Editora, 2013.

WORLD CANCER RESEARCH FUND / AMERICAN INSTITUTE FOR CANCER RESEARCH (WCRF/AICR). Food, Nutrition, Physical Activity, and the Prevention of Cancer: a Global Perspective. Washington DC, 2007.

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