Manejo nutricional em pacientes neutropênicos


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Bruna Oliveira – Taubaté/SP

Ione Ferreira – Caruaru/PE

Especialistas em Nutrição Oncológica pela
SBNO

 

A quimioterapia, em geral, possui efeito sobre o
sistema hematopoiético, determinando normalmente uma neutropenia grave e assim
maior vulnerabilidade para desenvolvimento de infecções oportunistas e sepse.
Este risco é inversamente proporcional ao número de neutrófilos circulantes
(AGUADO et al., 2016).

Muitos
estudos relatam que a presença de microrganismos patógenos em diversos
alimentos podem causar infecções oportunistas nos períodos de imunossupressão.
As práticas adequadas de aquisição, higienização e armazenamento dos alimentos
auxiliam no controle de doenças e infecções. A orientação adequada ao paciente,
quanto aos cuidados com a escolha e o consumo de alimentos e bebidas, é
imprescindível nessa fase (JUBELIRER, 2011).

Na
década de 60, surgiu o conceito de dieta específica para pacientes
neutropênicos, preparadas em ambientes totalmente protegidos. Essa dieta foi idealizada para que fosse possível
aplicar um tratamento mais agressivo contra neoplasias, pois doses maiores de quimioterápicos implicavam em uma
neutropenia mais grave, necessitando reduzir ao máximo o contato de
microrganismos com estes pacientes. Surgiu então o conceito de dieta estéril
composta de água e alimentos autoclavados e irradiados (MOODY et al., 2002;
JUBELIRER, 2011).

No
entanto, pesquisadores demonstraram que estas medidas não tiveram efeitos na
redução de infecções ou taxas de mortalidade, além do que, as restrições
impostas, na tentativa de minimizar o contato com os microrganismos, foram
associadas a uma piora na qualidade de vida, sofrimento psicológico e alto
custo financeiro com a alimentação (MOODY et al.,2002).

Na década de 70, o Departamento de Saneamento
Ambiental e Dietético do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos propôs
a dieta de alimentos cozidos que, embora não fosse estéril, tinha como proposta
eliminar os alimentos com altas contagens de bactérias (PREISLER et al., 1970).

Nos anos 80, surge a
dieta com baixo teor de bactérias ou low bacterial
diet
ou dieta para neutropenia, que consiste em estudos com cultura
microbiológica em diversos alimentos propondo, empiricamente, que aqueles cuja
análise identificasse um valor inferior a 500 UFC (unidades formadoras de colônias)
de Bacillus por grama seriam
aceitáveis para consumo por pacientes neutropênicos (PIZZO et al., 1982).

Apesar do uso frequente de dietas neutropênicas, uma
revisão da literatura não conseguiu identificar evidências que mostrassem uma
relação direta entre este tipo de dieta e prevenção de infecções (WILSON, 2002).
Ainda utilizamos a recomendação da dieta com baixo teor de
bactérias para neutropenia mesmo sabendo que não existem estudos suficientes que evidenciem cientificamente seu
benefício na prevenção das infecções (JUBELIRER, 2011; BOECKH, 2012).

A Food and Drug Administration – FDA
estabelece que as mesmas instruções de higiene dos alimentos, feitas para a
população em geral, devam ser seguidas pelos pacientes imunocomprometidos. (NATIONAL
INSTITUTES OF HEALTH, 2005). No Brasil, seguimos as recomendações do Consenso
Nacional de Nutrição Oncológica (2015).

REFERÊNCIAS

BOECKH, M. Neutropenic diet–good practice or myth?
Biol Blood Marrow Transplant, v 18, n. 9, p. 1318-1319, 2012.

CONSENSO NACIONAL DE
NUTRIÇÃO ONCOLÓGICA. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva,
Coordenação Geral de Gestão Assistencial, Hospital do Câncer I, Serviço de
Nutrição e Dietética; organização Nivaldo Barroso de Pinho. – 2. ed. rev. ampl.
atual. – Rio de Janeiro: INCA, 2015.

JUBELIRER, S. J. The benef of the neutropenic diet
fact or faction? The oncologist. v.16, n.5, p. 704 -707, 2011.

MOODY, K.; CHARLSON, M. E.; FINLAY, J. The neutropenic
diet: what’s the evidence? J Pediatr Hematol Oncol. v. 24, n. 9, p. 717-721,
2002.

NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. Gateway to government
food safety information, advice for consumers. 2005. Disponível em em http://www.foodsafety.gov

PIZZO, P. A.; PURVIS, D. S.; WATERS, C.
Microbiological evaluation of food items. For patients undergoing
gastrointestinal decontamination and protected isolation. J Am Diet Assoc. v.
81, n. 3, p. 272-279, 1982.

PREISLER, H. D.; GOLDSTEIN, I. M.; HENDERSON, E. S.
Gastrointestinal “sterilization” in the treatment of patients with
acute leukemia.
Cancer. v. 26, n. 5, p. 1076-1081, 1970.

AGUADO, J. M., CRUZ, J. J.; VIRIZUELA,
J.A. et al. Management of infection and febrile neutropenia in
patients with solid cancer . v. 18, p 557-570, 2016.

WILSON, B. Dietary Recommendations for Neutropenic
Patients. Seminars in Oncology Nursing, v. 18, n. 1, p. 44-49, 2002.

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