Dieta cetogênica e câncer


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Camila Parenza – Caxias do Sul/RS

Especialista em Nutrição Oncológica pela SBNO

A dieta cetogênica é uma dieta terapêutica cuja composição é rica em lipídeos, moderada em proteínas e pobre em carboidratos. Há uma substituição dos carboidratos por lipídeos, que provêm uma fonte energética alternativa para océrebro, as cetonas, e diminui-se levemente a quantidade de proteínas. Foi usada pela primeira vez nos Estados Unidos, no começo do último século, quando médicos recomendaram o uso do jejum a um menino com crises epilépticas. É considerada um tipo de tratamento alternativo para epilepsia de difícil controle medicamentoso (PEREIRA, 2010).

Atualmente esse tipo de dieta tem sido colocada em questão quando aliada ao tratamento do câncer. Sabe-se que células normais do corpo possuem flexibilidade metabólica, se a insulina está reduzida, elas podem começar a utilizar ácidos graxos ou corpos cetônicos para fornecerem energia, porém as células cancerosas são incapazes de fazer isso, pois precisam de glicose. Discute-se se a dieta cetogênica poderia reduzir o combustível disponível para as células cancerosas. Porém, apesar da ingestão de glicose estar bastante reduzida, o corpo ainda faz glicose via gliconeogênese e células cancerosas são eficientes em utilizar a pouca glicose disponível. As dietas de baixo teor de carboidratos podem levar a níveis mais baixos de circulação de hormônios insulina e IGF-1, podendo fazer com que as células cancerosas tenham menos sinais para crescer e dividir (BRYAN, 2014).

Um estudo realizado com 10 pacientes que apresentavam câncer avançado e que seguiram dieta cetôgênica por 28 dias, demonstrou, através da tomografia por emissão de pósitrons (PET Scan), que 4 dos pacientes continuaram a sofrer de doença progressiva, enquanto 5 mantiveram-se estáveis e 1 obteve remissão parcial da doença. A extensão da cetose, mas não o déficit calórico ou perda de peso, correlacionou com doença estável ou remissão parcial (FINE, 2012).

Outro estudo avaliou a qualidade de vida nos pacientes com tumores metastáticos avançados que seguiram dieta com redução de carboidratos. O efeito da mudança de dieta no metabolismo foi monitorizado diariamente pela medição de corpos cetônicos na urina. Os pacientes que concluíram o período de avaliação de 3 meses relataram funcionamento emocional melhorado e menos insônia, enquanto outros parâmetros de qualidade de vida permaneceram estáveis ou pioraram, refletindo sua doença avançada. Exceto constipação e fadiga, não foram encontrados efeitos colaterais e, especialmente, nenhuma alteração no colesterol ou lipídios no sangue (SCHIMIDT, 2011).

Estudos adicionais mostraram que dietas cetogênicas reduzem o crescimento tumoral e melhoram a sobrevida em modelos animais de glioma maligno, câncer de cólon, câncer gástrico e câncer de próstata. O jejum, que também induz um estado de cetose, demonstrou aumentar a capacidade de resposta à quimioterapia em modelos pré-clínicos de terapia de câncer, bem como, possivelmente melhorar alguns dos efeitos colaterais normais dos tecidos observados com a quimioterapia (BRYAN, 2014).

Os mecanismos pelos quais as dietas cetogênicas demonstraram efeitos anticancerígenos, quando combinadas com rádio e quimioterapia, ainda não foram completamente elucidados, apesar de os resultados pré-clínicos demonstrarem possível eficácia. Porém, trata-se de uma dieta complexa e os estudos até o momento são inconclusivos devido à metodologia utilizada e amostras de tamanho limitado, mostrando-se, ainda, não comprovadamente segura e eficaz para o tratamento do paciente oncológico.

Referências bibliográficas:

Bryan, G. A.; Sudershan, K. B.; Carryn, M. A. et al. Ketogenic diets as an adjuvant cancer therapy: History and potential mechanism. Redox Biol. 2014; 2: 963-970.

Fine, E. J.; Segal-Isaacson, C. J.; Feinman, R. D. et al. Targeting insulin inhibition as a metabolic therapy in advanced cancer: a pilot safety and feasibility dietary trial in 10 patients. Nutrition. 2012 Oct 28; (10): 1028-35.

Pereira, E. S.; Alves, M. S.; Rocha, V. L. Dieta cetogênica: como o uso de uma dieta pode interferir em mecanismos neuropatológicos. R. Ci. méd. biol. 2010; 9(Supl.1):78-82.

Schmidt, M; Pfetzer, N; Schwab, M. et al. Effects of a ketogenic diet on the quality of life in 16 patients with advanced cancer: A pilot trial.NutrMetab (Lond). 2011 Jul 27; 8 (1): 54.

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